A aérea low-cost Frontier acreditou estar abafando quando anunciou que passageiros poderiam comprar o assento do meio para mantê-lo vazio durante a viagem, se assim quisessem. A low cost americana, sediada em Denver, desistiu do projeto antes mesmo dele ser colocado em prática após uma chuva de críticas de parlamentares americanos.
Os políticos do partido democrata de três estados enviaram uma carta ao CEO da Frontier, Barry Biffle, alegando que a companhia estava tirando vantagem do medo das pessoas de voar por conta da pandemia, cobrando preços abusivos e desproporcionais. O documento disse ainda se tratar de uma atitude irracional, uma vez que outras aéreas estariam deixando o assento do meio livre, sem cobrar nada por isso. A Frontier desistiu do plano e o CEO veio a público dizer que a intenção nunca foi lucrar com uma medida de segurança, mas apenas oferecer aos clientes mais espaço.
A low-cost alegou que decidiu instituir a cobrança quando notou que vinha vendendo mais de 50% dos lugares nos voos e que bloquear os assentos do meio, cobrando do viajante US$ 39 a mais sobre o preço da passagem, seria uma forma de estimular o distanciamento social. Com isso, a aérea não aumentaria o preço das viagens. Os assentos centrais representam cerca de um terço do total da aeronave e um simples bloqueio poderia provocar um aumento de até 50% no custo dos tíquetes.
A Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA) argumentou que se o distanciamento social for imposto dentro das aeronaves, as viagens baratas acabarão, já que as companhias terão que aumentar as tarifas para compensar os assentos vagos. O presidente da Latam, Jerome Cadier, concorda com a IATA: “se bloquearem o assento do meio, os voos não se pagam. Adotar um espaçamento custa muito”. Aéreas do mundo inteiro anunciaram nos últimos dias a obrigatoriedade do uso de máscaras em todos os voos. A alemã Lufthansa disse em comunicado que a empresa deixará de manter o assento do meio livre pois considera que as máscaras oferecem a proteção adequada.
A proposta completa
Para deixar a poltrona do meio vazia, os passageiros da Frontier desembolsariam a partir de US$ 39. A medida começaria a valer no dia 8 de maio e assento extra poderia ser adquirido na hora da compra da passagem ou posteriormente em caso de disponibilidade. Cada aeronave teria 18 assentos dedicados ao esquema “Mais espaço” até o dia 31 de agosto.
Oportunidade versus oportunismo
A Frontier não foi a única a ser acusada de querer lucrar com a pandemia. A brasileira Osklen, do grupo Alpargatas, anunciou em seu site a venda de duas máscaras com estampas exclusivas pelo valor de R$ 147. A atitude gerou muitas críticas que resultaram em uma retratação da marca. Através do perfil no Instagram, ela veio a público para explicar que o lucro seria de apenas R$ 11 e boa parte do dinheiro arrecadado (R$ 70) seria convertido em cestas básicas para pessoas da comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro.

A emenda saiu pior que o soneto e a explicação da Osklen só estimulou mais críticas, fazendo com que as máscaras fossem retiradas do site de vendas, assim como a postagem, que foi deletada. No entanto, o fundador da Oskeln, Oskar Metsavaht, ainda teve tempo de ironizar a situação. Ele apagou o comentário em seguida:

Quem seguiu no mesmo caminho foi a Disney, porém sem tantas críticas. A empresa, que reabriu o parque de Xangai na segunda-feira (11), criou uma linha de máscaras com os personagens estampados, desde Mickey e Minnie até Star Wars. Um conjunto com quatro é comercializado por US$ 19,99. Com o dinheiro arrecadado, a Disney irá doar US$ 1 milhão para o MedShare, instituição sem fins lucrativos que distribui suprimentos e aparelhos hospitalares para comunidades em necessidade.
Além disso, a empresa disse que irá doar um milhão dessas máscaras para crianças e famílias também atendidas pelo Med Share. Vale lembrar que este tipo de proteção não é indicada para ser usado em hospitais. As máscaras estão disponíveis no tamanho pequeno, médio e grande. Para comprá-las, é preciso entrar no site de compras da Disney e fazer a reserva do produto. Eles só estarão prontos para envio no final de julho.
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